DILEMAS COMERCIAIS PARA PAIS.
 
1º Dilema
Para facilitar a leitura, optámos por mencionar sempre "o filho", mas onde se lê "o filho" também se pode ler "a filha".

O seu filho vai consigo fazer compras ao supermercado. Ao ver um certo pacote de bolachas, fica entusiasmado, porque reconhece a marca das bolachas de uma publicidade televisiva e a embalagem apresenta umas figuras alegres que lhe agradam. Ele pega no pacote e coloca-o no cesto das compras. Mas você já tem doces suficientes em casa e não pretende comprar o produto. Qual é a sua reacção habitual perante uma situação destas?

 
  A.
Diz ao seu filho que volte a colocar o pacote na prateleira e não se deixa influenciar pelas suas lamúrias. Você é que decide o que vai comprar e ponto final.
  B.
Não lhe parece problemático. Você olha o pacote, reage de forma positiva e leva-o para casa.
  C.
Primeiro deixa o seu filho explicar porque é que quer comprar precisamente esse produto e depois diz-lhe que não vai comprar agora bolachas porque tem muitas em casa, mas que talvez as compre na próxima semana.
  
 
2º Dilema
O seu filho gosta muito de brincar com a sua consola Gameboy Advanced. Ele está muito contente com a consola até ao momento em que a Nintendo introduz no mercado um modelo novo: a Gameboy SP. O actual Gameboy do seu filho está a funcionar perfeitamente, mas o seu filho não o larga e enche-lhe os ouvidos dizendo que o novo modelo é muito mais bonito; que agora ele é o único da turma que tem uma consola velha e que, assim, vai ser excluído do seu grupo de amigos. Qual é a sua reacção perante esta situação?
 
  A.
Explica-lhe que ele não pode ter sempre logo o modelo mais recente e que vai ter de esperar até fazer anos.
  B.
Explica-lhe que a actual consola ainda funciona bem e que ele poderá tentar vendê-la, por exemplo, através de uma página na Internet de produtos em segunda mão e que depois, com esse dinheiro e mais algum da semanada, poderá comprar o modelo novo.
  C.
Explica-lhe que não se pode ter tudo assim sem mais nem menos, levando-o a reflectir sobre a questão, mas acaba por lhe comprar o modelo novo.
  
 
3º Dilema
Vai almoçar com a sua família ao McDonald’s. Até agora, o seu filho escolhia sempre o Happy Meal e ficava muito contente com esta refeição. Mas agora ele diz que já não quer uma refeição assim tão infantil, acabando depois por escolher exactamente os mesmos produtos que o Happy Meal contém. Acontece que o Happy Meal custa 2,95 euros, enquanto que os mesmos produtos, em separado, custam 6,50 euros. E ainda por cima, não recebe a habitual surpresa do Happy Meal. Como reage?
 
  A.
Compra os produtos em separado, sem quaisquer problemas.
  B.
Explica que desta forma a refeição fica muito mais cara e compra o Happy Meal.
  C.
Explica que desta forma é mais caro e tenta que o seu filho escolha o Happy Meal de livre vontade, utilizando como argumento que ele poderá dar o presente à prima mais nova que vão visitar no dia seguinte.
  
 
4º Dilema
O seu filho é muito hábil com a Internet. Actualmente gosta de visitar uma página muito popular que se chama "Habbo Hotel" (www.habbohotel.com), onde as crianças se encontram e podem falar umas com as outras no chat. As crianças podem alugar, gratuitamente, uma sala nesta página, mas para a decorar precisam de comprar "créditos" para adquirir os móveis. Elas são aliciadas a fazer uma chamada para um determinado número de telefone, onde devem introduzir um código de "Habbo-créditos" para adquirir um conjunto de 10 créditos, mediante o pagamento de 1,60 euros. Durante esta semana o seu filho já gastou 10 euros na utilização da linha telefónica, mas ele promete pagar-lhe esta quantia com a semanada. Entretanto, ele tem, claramente, a intenção de gastar muito mais ainda nos "móveis virtuais" para pôr a sala dele mais bonita do que a sala das outras crianças. Como reage a isto?
 
  A.
Interessa-se pelo funcionamento do Habbo e deixa que o seu filho continue a gastar dinheiro.
  B.
Explica ao seu filho que os donos do "Habbo Hotel" enriquecem à custa do dinheiro que as crianças gastam nos créditos, tentando convencê-lo a não investir mais dinheiro.
  C.
Diz ao seu filho que já chega e que já não pode comprar mais créditos.
  
 
5º Dilema
O seu filho joga razoavelmente bem ténis e treina várias vezes por semana. Numa tarde, chega a casa com a armação da raqueta rachada. Ele diz que não foi culpa dele e que já sabe exactamente qual é a raqueta nova quer ter. Qual é a sua reacção?
 
  A.
Pergunta-lhe o que de facto aconteceu, mas não insiste muito e compra-lhe a raqueta nova.
  B.
Vai falar com o treinador para apurar o que aconteceu e explica ao seu filho que tem de pagar metade do preço da raqueta nova com a sua semanada.
  C.
Explica-lhe que não lhe vai comprar a raqueta nova e que, durante algum tempo, vai ter de jogar com uma raqueta emprestada ou então que pode comprar uma raqueta em segunda mão com a sua semanada.
  
 
6º Dilema
Vai comprar sapatos com o seu filho. Na loja há dois pares de sapatos muito parecidos. A única diferença é que num par existe uma etiqueta muito pequena com o nome de uma marca conhecida, que o outro par não tem. Os sapatos de marca custam 59,50 euros e o par sem marca só custa 39,50 euros. O seu filho apresenta argumentos fantásticos para tentar convencê-lo de que os sapatos de marca são realmente muito melhores do que os outros, como, por exemplo, que vai ter uma imagem muito mais fixe no grupo. Como reage?
 
  A.
Sem levantar problemas, compra os sapatos de marca.
  B.
Explica que não tem tanto dinheiro para gastar, compra o par sem marca e não dá ouvidos aos argumentos do seu filho.
  C.
Tem uma conversa com o seu filho sobre a relação preço – qualidade. Explica-lhe a função de uma "marca" e espera convencer o seu filho a escolher o par sem marca, de livre vontade.
  
 
7º Dilema
Você tem a intenção de comprar um carro novo. Quando vai no carro com o seu marido/a sua mulher e o seu filho, vê passar o carro que pretende comprar. Aponta para o carro com entusiasmo e anuncia: "Estão a ver? É aquele modelo que pretendo comprar!". O seu filho reage logo, dizendo: "Não, esse não, esse não é nada fixe!" Parece que o seu filho tem uma opinião forte acerca do carro que você deveria ou não deveria ter. Ele dá-lhe uma alternativa: um carro de uma marca diferente, mas da mesma categoria. Até já escolheu a cor que deveria comprar. Que reacção é a sua?
 
  A.
Você diz que tem muita pena, mas que já escolheu o seu carro novo. E se ele não gosta, que vá a pé.
  B.
Você diz que não, que quer muito comprar o carro que escolheu. Mas inconscientemente ouve as palavras do seu filho e começa a pensar na alternativa que ele propôs.
  C.
Pergunta ao seu filho porque é que prefere o outro carro e vai fazer um test drive com ele.
 
 
 
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QUESTIONÁRIO - RESULTADOS
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SE O SEU RESULTADO É "ABAIXO DO VALOR MÉDIO":

Você é o tipo de pai "permissivo". Tem um coração de manteiga e cede facilmente aos caprichos do seu filho.
Provavelmente deixa-se influenciar facilmente pela publicidade e compra regularmente produtos que viu em anúncios publicitários. A felicidade da sua família é importante para si e você dá muita liberdade ao seu filho. Muitas vezes não tem vontade de entrar em conflito e não gosta de quebrar a boa harmonia. Você fala regularmente com o seu filho, mas nessas conversas deixa-se levar facilmente por ele. É um pai envolvido, mas não estabelece limites definidos.

Provavelmente terá os seguintes pensamentos de vez em quando:

 
  • O meu filho deve ter uma juventude melhor do que a que eu tive... Não importa, não me apetece criar conflitos...
  • O meu filho não deve ser excluído do seu grupo de colegas e amigos.
  • O meu filho sabe explicar muito bem o que é que quer...

Estes pensamentos são óptimos, mas podem levar a que o seu filho não entenda bem o facto de às vezes ter mesmo de fazer escolhas, porque o dinheiro não "cai do céu" assim, sem mais nem menos. É provável que o seu filho se torne, à sua imagem, muito influenciável pela publicidade, e que depois de ver anúncios publicitários lhe peça regularmente para comprar um determinado produto publicitado. Também é provável que o seu filho seja sensível a modas e à pressão do seu círculo de amigos.

É aconselhável que o seu filho se torne mais sensato relativamente à importância das suas próprias escolhas e também mais sensível às intenções que estão por detrás dos anúncios publicitários e à diferença entre necessidade (produtos que são realmente necessários) e desejos (produtos que ele gostaria de ter). Poderá simplesmente ter uma conversa com o seu filho acerca disso. Veja os anúncios publicitários em conjunto com ele e deixe-o falar sobre os anúncios de que mais gosta e porquê. Fale-lhe também do fenómeno de "querer fazer parte do grupo" e sobre como é que ele se sentiria se escolhesse um pouco mais o seu próprio caminho. Poderá ainda tentar ceder menos aos desejos do seu filho, argumentando claramente as razões para a sua restrição.

Irá decerto ajudar o seu filho, se lhe incutir a importância de "ser ele próprio" e de "saber o que é melhor para si".

 

 
SE O SEU RESULTADO É "MAIS OU MENOS O VALOR MÉDIO":

Você é o tipo de pai "autoritativo". Você comunica com o seu filho de forma construtiva e com bastante regularidade, explicando-lhe as coisas e dando-lhe espaço para que ele consiga fazer as suas próprias escolhas. Ao mesmo tempo, consegue estabelecer os seus limites. Valoriza muito os seus próprios princípios. Não faz muitas restrições, mas é firme quando tem de ser. Não se deixa influenciar facilmente pela publicidade, dá destaque à qualidade do produto, funcionando desta forma como um filtro saudável entre o seu filho e a envolvente comercial.

De vez em quando terá, provavelmente, pensamentos do tipo:

 
  • Acho que ver televisão uma hora por dia é o suficiente...
  • O facto de um amigo ou uma amiga ter um certo produto, não é um argumento válido para mim. O mais importante é o que nós queremos...
  • Será que este produto é melhor que aquele? Podes explicar-me isso?...

Estes são bons pensamentos. Poderá ajudar o seu filho a tornar-se um pequeno consumidor consciente e crítico, acompanhando, de vez em quando, de forma consciente, os programas infantis e as páginas da Internet que o seu filho vê e visita. Assim, irá aumentar a sua participação e poderá controlar a informação que o seu filho consome. Fale com o seu filho sobre a informação veiculada e explique-lhe quais são os propósitos e as técnicas utilizadas actualmente na publicidade.

O melhor que tem a fazer é preocupar-se em aumentar o conhecimento comercial do seu filho.

 

 
SE O SEU RESULTADO É "ACIMA DO VALOR MÉDIO":

Você é o tipo de pai "autoritário". Tem regras muito definidas e não se deixa influenciar facilmente pelo seu filho. Não comunica muito com ele e sente necessidade de impor ordem, clareza e autoridade. Você é um/a pai/mãe severo/a, mas pode ter dúvidas acerca da educação do seu filho. Tem alguma receptividade à publicidade e às marcas, que para si representam qualidade, prestígio e reconhecimento.

Provavelmente terá os seguintes pensamentos de vez em quando:

 
  • Só quero o melhor para o meu filho...
  • Quero saber onde o meu filho gasta o seu dinheiro...
  • Normalmente sou eu quem decide qual o canal de televisão que vemos...

O seu filho tem um bom apoio no cumprimento das regras que você estabelece, mas estas talvez o inibam de desenvolver a capacidade de fazer as suas próprias escolhas. Para ajudar o seu filho no sentido de ele se tornar um pequeno consumidor crítico e consciente, é importante que ele possa ter liberdade para lidar com dinheiro, publicidade e marcas. Também é importante que os pais falem com os seus filhos sobre os processos que nos levam a fazer as nossas escolhas. O seu filho necessita que lhe dê espaço e que a sua opinião pessoal seja respeitada neste campo. Estude as possibilidades que existem, conjuntamente com o seu filho, e fale com ele sobre as diversas opções. Dê-lhe alguma margem, para que ele possa cometer os seus próprios erros.