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2007-12-06 - A secretaria-geral da Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN) disse hoje à Lusa que o ensino de publicidade nas escolas portuguesas arranca no início de 2008, adiantando que o programa já está a ser testado entre os professores.O programa "Media Smart" é um projecto de literacia em publicidade baseado no ensino extracurricular de temas e conceitos relacionados com a comunicação comercial e não comercial de marcas e entidades, tendo como grupo-alvo crianças entre os 6 e os 11 anos (1º e 2º ciclos).
"No início de 2008, o programa deverá estar a ser implementado em todas as escolas que aderirem", afirmou Manuela Botelho, adiantando que a apresentação pública do projecto está prevista para o final de Setembro.
Segundo as previsões da APAN, o "Media Smart" poderá, nos primeiros três anos de aplicação, abranger cerca de 50 por cento dos alunos portugueses da referida faixa etária, podendo chegar num prazo de 10 anos ao universo global das escolas nacionais.
Até ao final deste ano, o programa será apresentado de forma mais detalhada junto das escolas, referiu a responsável, explicando que os conceitos e os materiais desenvolvidos para dar apoio ao ensino - livros de exercícios, manuais e DVD - vão ser testados até Outubro em algumas salas de aula do país.
"Vamos fazer 12 testes-piloto em diversas escolas, privadas e públicas, em áreas representativas do ensino no país e que foram indicadas pelo Ministério da Educação, que é nosso parceiro neste projecto", frisou.
Em Julho passado, a APAN organizou encontros com 55 professores do 1º Ciclo, provenientes de todas as regiões de Portugal, onde foram realizados pré-testes aos conceitos do "Media Smart".
De acordo com Manuela Botelho, os professores encararam o programa com "entusiasmo" e consideraram que esta iniciativa poderá ser "uma boa ferramenta para estimular as crianças e para o desenvolvimento das suas capacidades de argumentação".
Constituído por três módulos de ensino - Introdução à Publicidade, Publicidade Dirigida às Crianças e Publicidade Não Comercial -, o programa foi desenvolvido para ter uma implementação flexível, podendo ser leccionado enquanto disciplina extracurricular autónoma ou ver introduzidos alguns dos seus conteúdos em disciplinas curriculares já existentes.
Nesta recta final foi ainda constituído o Comité de Direcção, órgão que vai reunir todos os patrocinadores do "Media Smart" e que terá como objectivo assegurar a correcta implementação do projecto no terreno.
O director-geral do Grupo Nestlé, António Saraiva de Reffóios, foi o nome escolhido para a presidência do comité, que já conta com a presença assegurada de outros anunciantes como a Danone, o Modelo/Continente, a Diageo e a Kellogg`s, segundo Manuela Botelho.
Este comité, que será responsável pelo financiamento do "Media Smart", terá que contar com, "pelo menos, 15 patrocinadores-financiadores para que o programa arranque em pleno", admitiu a secretária-geral da APAN.
O projecto tem um investimento global estimado de cerca de um milhão de euros para os próximos 6 anos, 200 mil euros anuais no primeiro triénio e cerca de 150 mil euros anuais para o restante período.
A iniciativa conta ainda com um grupo de peritos, presidido pelo ex-ministro da Educação Roberto Carneiro, que tem como função adaptar os conteúdos e definir os objectivos de aprendizagem.
O grupo de peritos, composto por 12 elementos, é constituído, entre outros, por representantes da Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular (Ministério da Educação), da Direcção-Geral da Saúde, do Instituto do Consumidor e da Confederação Nacional das Associações de Pais.
O projecto "Media Smart" arrancou em 1998 no Canadá, tendo sido introduzido na Europa através do Reino Unido (em 2002), país onde já chegou a mais de um milhão de crianças.
Depois do Reino Unido, foi lançado na Holanda, Bélgica, Suécia e, mais recentemente, na Finlândia.
Portugal é o primeiro país do sul da Europa a implementar este programa.
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