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2008-08-08 - Foi lançado esta quinta-feira na Escola Eugénio dos Santos, em Lisboa, o programa «Media Smart», que pretende «desenvolver o espírito crítico das crianças em relação às mensagens publicitárias», reforçando a sua «capacidade para as interpretar e desconstruir».

Conceição Henriques, professora da escola Eugénio dos Santos, após uma aula prática, disse aos jornalistas que o objectivo de «qualquer professor é desenvolver capacidades críticas» nos alunos «para que possam pensar, desenvolver opiniões e intervir na realidade». Confessou que o «Media Smart» facilita o trabalho dos professores por ser «versátil e adaptável a qualquer método de ensino». Diz a professora que após três sessões, «há já alunos preparados para os anúncios e criticá-los». Assim, continuou, a escola «pode ajudar a família», já que o aluno é «confrontado com a opinião do próprio colega», o que acaba por «complementar a formação da sua opinião». Mundo real na sala de aula Roberto Carneiro, coordenador do grupo de peritos do programa, disse aos jornalistas que se pretende «trazer o mundo real para dentro da sala de aula», já que as «crianças estão rodeadas de publicidade». Esclareceu que o objectivo não é eliminar os riscos da publicidade, mas «dotar as crianças de instrumentos que lhes permita interpretar e desconstruir as mensagens», para que possam «contornar os riscos». Acesso gratuito O primeiro país a lançar este programa foi o Canadá em 1998. Com a designação «Para um público esperto, um olhar mais desperto», o programa é constituído por três módulos: introdução à publicidade, publicidade dirigida a crianças e publicidade não comercial. Os materiais de trabalho são cedidos gratuitamente às escolas e cada módulo é constutuído por um manual para professores, fichas de exercícios para os alunos e um DVD. São utilizados anúncios verdadeiros. Tal como explicou Roberto Carneiro, «não é imposto, é proposto» às escolas. Manuela Botelho, secretária-geral da Associação Portuguesa de Anunciantes, em representação do «Media Smart», disse que esta quinta-feira foi «lançada a primeira pedra». Diz que foram enviados para 7500 conselhos executivos propostas de adesão ao programa As escolas que não receberem a proposta e que quiserem aderir podem fazê-lo através do site, de boletins, de email ou de telefone. Em jeito de conclusão, Roberto Carneiro afirmou querer «formar cidadãos para que possam reflectir e não sejam passivos, que dialoguem com o mundo». 

Ana Sofia Santos

Diário Digital